quinta-feira, 14 de junho de 2018

Tattoo Black Work - Parte 4 - Pintura com a Magnum de 9



Nessa última parte, eu vou falar um pouco sobre a pintura, sombra e efeitos com a própria magnum. Como eu falei nos posts anteriores eu usei uma máquina Bulldog com magnum de 9 agulhas. A minha idéia era fazer preenchimento e texturas com ela.

Acho que vale a pena comentar mesmo que seja redundante que para preenchimento eu faço pequenos círculos, curtos mesmo e fazendo pressão com a mão, colocando peso na máquina e quando eu quero algo mais claro, uso a leveza da mão, passando as agulhas superficialmente sobre a pele.
O som da máquina muda quando se faz preenchimento sólido e basicamente não muda nada quando se faz movimentos superficiais.

Outro ponto importante para essa tatuagem é que para eu conseguir fazer os tons mais claros eu não utilizei água ou qualquer outro sumie para diluir a tinta preta. Foi apenas o peso da mão variando para mais pesado ou mais leve. Assim como no lápis de cor aonde se força mais e fica mais tempo em uma área para conseguir uma cor solida ou leve e superficial para se conseguir tons claros.



No vídeo de cima, dá para perceber que em alguns pontos mais curtos eu faço movimentos pequenos e circulares. Mas para áreas maiores eu quis fazer um efeito de texturas. Claro que para essas texturas aparecerem eu passo a máquina muito mais rápido do que para fazer preenchimento.




Em algum momento do video de cima, dá para notar um movimento de vai e vem como se fosse um pêndulo, criando texturas com a magnum. Esse mesmo movimento é feito para realismo com degrades bem suaves só que para ficar com a aparência mais lisa, o movimento é mais curto e mais suave. Vamos lembrar também que não é porque passamos muitas vezes por cima que vai ficar mais escuro e sim, quanto mais vezes se passa no mesmo lugar mais homogêneo fica a pigmentação. 

No vídeo abaixo dá para perceber melhor o movimento de pêndulo que eu comentei, ainda mais que o video está em slowmotion.




Bom, essa tatuagem foi feita dessa maneira. Eu decidi fazer em 4 partes porque é mais fácil de descrever cada fase e com os videos dá para explicar um pouco melhor cada passo.
Vamos pensar que cada máquina realmente faz um efeito diferente e que isso não é ruim, na verdade eu penso que temos que entender as nossas máquinas e tirar proveito de cada efeito que elas possam nos dar. Lembrem-se que as máquinas são feitas para alguns propósitos porem muitas vezes não servem para nós. Maquina é muito pessoal e o que é ótimo para uns pode não ser para outros.

Vou pensar no assunto para o próximo post. Espero que tenham gostado deste passo a passo e que de alguma maneira possa ajudar alguém com algum ponto que eu tenha escrito.
E por favor, comentem para saber que tem alguém lendo.


Vamos evoluir 1% por dia, mas todos os dias!

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Tattoo Black Work Parte 3 - (Os traços finos e efeitos com a rotativa)



Nessa parte 3, vou mostrar alguns efeitos que eu fiz com a maquina rotativa e também falar sobre as linhas finas.
A maquina como eu já disse no post anterior foi uma Electra Pop. Uma máquina simples, leve e muito forte.

No vídeo abaixo eu mostro o quanto eu  gosto de deixar de agulha para fora da biqueira. Ao mesmo tempo é importante também notar a velocidade já que estou usando uma agulha 03 RL. Claro que cada parte do corpo tem uma profundidade para mais ou para menos dependendo do tanto de gordura, pele, ossos, cartilagens que encontramos pela frente. Isso é somente com a prática e claro, dicas de outros que já tatuaram áreas que vocês talvez ainda não tenham tatuado.

Uma dica simples que eu sempre falo nas oficinas de tatuagens é: quanto menos agulhas ou seja, quanto mais fina a agulha, mais superficial e mais rápida tem que se passar sobre a pele. Quanto mais agulhas ou seja, mais grossa, mais lenta e mais força se põem para que elas possam furar a pele.

Essa dica depende muito também da máquina que se está usando. Então não podemos criar uma regra fixa porém, geralmente funciona muito bem essa dica.

Pra mim, as agulhas mais finas eu considero da 03RL até a 07RL.
Da 09RL para cima eu já considero agulhas mais grossas, aonde o movimento começa apartir do 09RL a ficar mais lento. E quanto maior o numero de agulhas, mais lento o movimento.



Todas as linhas mais finas deste trabalho foram feitas com essa mesma agulha e máquina.
No vídeo abaixo dá para notar melhor a agulha e o resultado. Obviamente o resultado com essa máquina pode ser diferente se usarmos outras máquinas. Isso não quer dizer que vai ficar melhor ou pior. E por curiosidade, era a primeira vez que eu estava usando essa máquina. Então, se não fosse com ela eu poderia tentar uma outra maquina e teria algum resultado parecido. É importante entender a sua máquina e descobrir quais resultados elas darão nos seus trabalhos.




No geral, nao tem nenhum segredo em como foi realizado esse trabalho.
Abaixo eu coloquei um video mostrando um exemplo de como criar um whipshading com a maquina rotativa. Geralmente eu uso a maquina de bobina mesmo. Uma maquina de pintura com a batida mais aberta mas usando uma agulha de linha com movimentos rápidos.
Mas nessa tatuagem eu usei a própria rotativa Electra Pop. Somente tive que abaixar muito a voltagem para que ela ficasse muito lenta. Normalmente eu uso com 8 volts mas para que ficasse muito lenta eu baixei para 4 volts.

Quando eu uso maquina de bobina, eu uso com voltagem bem alta, aproximadamente 12, 13volts mas nesse caso, eu tenho que passar a agulha com muito mais rapidez para que fique esse efeito de pontilhismo nas sombras.  Vale apena tentar com a rotativa assim como a bobina.









Acho que essa parte chegou ao fim. Falei bastante sobre a maquina rotativa para fazer os traços finos e também o chamado whipshading. Esses videos, como disse anteriormente, não estão em uma ordem lógica mas somente para "ilustrar" o que eu queria dizer sobre a rotativa.
A parte 4 eu vou falar um pouco da Magnum.

Mandem suas opiniões, perguntas... quem sabe não serão as ideias para poder criar mais posts futuros?! 
No proximo post eu vou falar sobre a magnum que usei nessa mesma tattoo e finalizar sobre esse trabalho. Espero que acompanhem.

Vamos evoluir 1% ao dia mas todos os dias! Até porque, quem disse que 100% é o maximo que podemos chegar?

Abracos a todos.


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sábado, 2 de junho de 2018

Tatuagem Black Work Parte 2 - O Bold Line




Nessa segunda parte eu mostrarei alguns videos que eu fiz durante o processo para que possa ver as agulhas durante o traço. 

Para começar, eu usei uma fonte da Eikon digital que eu tenho há alguns anos. 

Para fazer o bold-line eu usei uma agulha Perfect 09 RL e "isqueirei" para abri-las. A maquina para esses traços grossos eu usei uma Nano Dial Power de Latão da ElectricInk. Eu confesso que adoro essa máquina para fazer esses traços grossos. 

Para o fine-line eu usei uma agulha Black Cat 03 RL. A máquina para esses traços eu usei uma rotativa Electra Pop. 

Na pintura usei Magnum 09. A máquina foi uma BullDog Pintura de alumínio. 

Tinta foi apenas preto Linha Everlast. 

Depois do decalque pronto, deixei secar por mais de 15 minutos e assim comecei a "boldear" e fazer os traços finos ao mesmo tempo, ou seja, fazia o bold line parava, fazia os fine lines, voltava para o bold e assim por diante. Até o final do trabalho eu fui trocando as máquinas fazendo toda a arte finalizando cada pequena área que eu ia avançando. Eu costumo fazer sempre dessa maneira porem, tem um ou outro trabalho que eu começo fazendo todos os traços grossos e depois todos os traços finos. Não é uma regra eu usar apenas um modo. 




Nesse vídeo a cima eu pedi para o nosso amigo Sandro tentar focar bem na ponta da agulha e no resultado do traço. Lembrem-se que eu estou usando nesse video uma RL 09 aberta no isqueiro e com a máquina Nano Dial Power de Latão. Percebam também que eu vou de um lado para o outro com até certa facilidade. Eu sempre comento em workshop que uma das maiores conquistas de um tatuador é conseguir fazer com que as máquinas trabalhem com facilidade, pigmente fácil. Imagine você riscar e não pegar tendo que passar por cima novamente?! Além de poder machucar o cliente, demora e o traço nunca fica bonito. Então encontrem máquinas que possam fazer esse serviço o mais fácil para ter um trabalho mais rápido com traços sólidos. Cada um tem a máquina que melhor combina com o estilo do tatuador de trabalhar.







No video a cima eu consigo melhor mostrar o movimento e a velocidade da máquina. Um detalhe que algumas pessoas perguntam é sobre a Voltagem. Para bold-line com essa máquina eu uso geralmente 13,5  volts. Para a máquina rotativa eu usei 8 volts. 





Apesar de não estar na ordem os video, eu gostaria apenas de tentar mostrar a ponta das agulhas e a linha sendo feita. Outro ponto importante é ouvir o barulho da máquina variando no bold. Simplesmente porque tendo 09 agulhas abertas, a resistência da pele é maior do que uma 03RL por exemplo. Então eu tenho que colocar mais força para que possa o traço sair sólido e com uma certa facilidade. As pessoas que veem pensam que parece uma caneta pigmentando, mas na real eu estou exercendo uma certa força para que o traço saia. Dá para ouvir as vezes o barulho sumindo pois, em áreas mais "macias" do corpo fica ainda mais difícil de pigmentar ao contrario das áreas mais esticadas. Então, para o traço conseguir entrar na pele, sim... tenho que fazer força. E quanto mais grossa a linha, mais força eu tenho que fazer e mais lenta a máquina eu tenho que passar.



Na próxima parte eu mostrarei as linhas finas sendo feitas com 03 RL e máquina rotativa.

Espero que gostem e que comentem pois é importante a participação de todos.

Vamos evoluir 1% ao dia, mas todos os dias!!!


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Tatuagem Black Work (Parte 1)

Tatuagem feita no Estúdio Don Rodrigues


Voltando, eu queria falar sobre esse trabalho que eu fiz recentemente na mão de um amigo nosso, o Gabriel. A idéia veio dele, um Exu Caveira para ser feito na mão. A princípio ele gostaria de fazer 7 caveirinhas nos dedos mas eu opinei fazer um tipo de colar com as caveiras e não invadirmos tanto os dedos. A referência que ele me passou era um desenho de uma morte e apartir disso, com as medidas de sua mão, eu esbocei meu desenho colocando na proporção.

Como foi feito o desenvolvimento da idéia?

O projeto seria uma caveira parecida com a morte, procurei algumas referências que me dessem um ponto de partida. Procurei e encontrei no próprio Google as seguintes imagens:


Para encontrar essa imagem ao lado eu digitei “mulher com capuz” e apareceram varias mas eu preferi começar por essa. Achei que o clima da foto seria ideal para o que eu estava procurando. Apesar da imagem está em baixíssima qualidade, eu a usei mesmo assim porque eu precisava muito da essência e não dos detalhes.





















E logo que eu estava contente com a primeira referência,  busquei no Google também um crânio para usar como referência. Uma coisa que eu sempre digo nas aulas é que eu aprendi que temos que usar referencias, por mais que sentimos confiança com o tema, sempre iremos nos esquecer de algum detalhe. Por isso, usar referência é uma questão de errarmos menos na hora da construção e logo, referência não quer dizer que vamos usar exatamente o que vemos na foto. Podemos a partir das imagens podermos mudar detalhes que possam deixar mais interessante o desenho. A referência é um ponto de partida, não um ponto de chegada.







Antes eu havia tirado a medida do espaço da mão do Gabriel com um papel tipo Contact (eu sei que é marca) e passei a medida para o meu Ipad. Depois das referências em mãos, eu esbocei no aplicativo chamado SketchBook Pro, hoje em dia totalmente grátis. No vídeo a cima eu demonstrei a construção da arte. Hoje em dia eu uso muito o Ipad mais o SketchBook Pro para criar meus desenhos para tatuagem. Nem sempre, claro... adoro ainda o velho e bom lápis e papel. Mas quando preciso criar algo mais rápido eu acabo "apelando" para o Ipad.






 Na fase 1, somente o sketch para criar a composição dentro do espaço que eu havia tirado antes. Na fase 2, a arte-final para entender os traços principais e no ultimo o desenho já pronto para fazer o decalque na maquina. Nesse caso, eu fiz o decalque na impressora matricial. Caso vocês queiram que eu fale sobre, eu faço posto posteriormente. A Impressora que eu tenho é uma Epson LQ 590. Comprei usada no Mercado Livre que na época chegou pra mim em menos de uma semana.

Aqui fica o fim da fase 1 desta tatuagem. No próximo post vou falar sobre os traços e as sombras.

Espero que comentem porque voltei a escrever...
Vamos evoluir 1% ao dia mas todos os dias

Abraços a todos.



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domingo, 23 de julho de 2017

Para quem está começando na Tatuagem

Contar a minha história para qualquer pessoa do meu início na tatuagem até hoje em dia, nunca foi algo que eu escondi e na verdade, eu gosto de falar. Acho que serve de incentivo para alguém que está começando também. O que será a vida depois da tatuagem? O desconhecido dá muito medo não é mesmo?
E deixar um emprego com salário fixo, com uma filha de 3 anos para virar tatuador? Quem arrisca? Minhas contas, minhas dividas continuavam a chegar todos os meses e deixar o certo pelo duvidoso poucos arriscam... mas eu não arrisquei, eu fiz acontecer.

Eu amo a tatuagem desde os meus 7 anos de idade quando pela primeira vez eu vi uma no braço de um vizinho. Aquilo me fascinou e apartir daquele momento eu decidi que iria fazer isso um dia. Como meus pais ainda tinham preconceitos em relaçao a tatuagem, nunca assumi abertamente a eles que eu achava tudo aquilo incrivel e que eu queria fazer ou ter uma. Trabalhei "normalmente" até os meus 25 anos de idade quando eu percebi que estava perdendo tempo com aquele emprego, nao me via crescendo profissionalmente e eu estava entrando numa fase de depressao a tal ponto de quase abandonar o emprego sem mesmo querer ir buscar o meu salário. Abandonei o emprego... aquilo já estava me fazendo muito mal e assumi para o mundo, para meus pais: "tenho que falar pra todos que apartir de agora virei tatuador". Pronto, um peso saía das minhas costas. Agora só me faltava aprender a tatuar.
Aqui um exemplo de uma tatuagem minha de
aproximadamente 2 anos tatuando

Claro que no começo, como quase todo mundo (acho que 99%) começa em casa, comigo não foi diferente, aprendia das maneiras mais engraçadas (olhando hoje, claro). Juntava moedas para comprar alguns VHS's horriveis que diziam ensinar a tatuar. Quando não era o audio que nao se entendia uma só palavra, era o que enrolava no video todo e não dizia nada. Mas para mim, só de ver alguem tatuar já era algo incrivel.

Tatuei muitos amigos antes de eu ter a minha primeira tatuagem. Fazia estrelinhas, muitos tribais, palhaços com armas na mão (na época eram legais), muitas indias com a cara da Sheila Carvalho, Jesus com cara do Marcos Palmeiras, fadas, doendes fumando maconha, nomes, frases, kanjis (que geralmente faziamos ao contrario ou mesmo de ponta-cabeça) e mais tribais porque apesar de ter falado ja, eram os que mais faziamos.

Uma estrela, desprezada por muitas pessoas que sempre dizem: É rapidinho, é só uma estrela! - se você errar apenas um tracinho das dez que compõem a estrela, já está errada... e vem me dizer que é apenas uma estrelinha?

Ia muito à convençoes, comprava as fitas de vhs, fotografava tatuadores trabalhando, comprava revistas nacionais e gringas... tudo para tentar entender cada vez mais a arte de tatuar.

De casa, fui para o primeiro estudio que ficava no bairro aonde eu morava, fiquei trabalhando por 1 ano e meio, querendo aprender, querendo tatuar bem e não foi fácil.
Recebi um convite para tatuar num estudio grande em SP e era tudo o que eu queria. Lá estaria perto de varios outros tatuadores com quais fiz amizades e aprendi um pouco com cada um deles. A vontade de aprender só foi crescendo.
Três anos e meio depois, recebi um convite para ir para Roma, aonde tatuei por lá por quatro anos, em paralelo no ultimo ano, abri meu estudio em SP e acabei deixando Roma por SP de vez.
Nesse exemplo eu já tatuava há mais de dois anos

Hoje o meu estudio tem 8 anos, uma criança. E gosto de lembrar a todos que é um estudio, aonde criamos as ideias das tatuagens para que seja algo exclusivo para o dono da obra, chamado cliente. Não somos uma loja de tatuagem como muitos por ai... nao negociamos tatuagens, nao convencemos ninguem a fazer uma. Somos um estudio aonde tenho a honra de trabalhar entre amigos e em paralelo com o Lado B Escola, fazemos uma equipe de artistas muito forte.

Já se foram muitos anos desde novembro de 2002 quando comecei a tatuar no meu quarto e a minha paixao pela tatuagem não mudou em nada. Eu me admiro com muitos materiais novos, cursos, artistas que aparecem a cada semana e como o rumo da Tattoo foi para uma estrada que ninguem imaginava chegar e com certeza vai continuar indo, evoluindo e facilitando a vida de muitos que vão começar. Se eu me incomodo? Claro que não. Todos que estão começando agora tem a sorte de ter tudo isso que é fantastico muito mais fácil do que muitos da minha geração não teve.  Eu só queria ter nascido nessa nova geraçao com tantas informaçoes rápidas, materiais incriveis, novas tintas...
Nessa foto eu já tatuava ha uns 3 anos

Mas pensando bem, não... não queria não... Eu não seria eu, tudo o que eu aprendi, que vi e vivi, não teria passado por nada disso... Talvez não teria nada pra contar hoje.
Agora é tentar acompanhar tudo isso e compartilhar nossas historias. O tempo passa e eu não fico me lamentando, ao contrário: tento acompanhar estudando todos os dias e me conforto em saber que de alguma maneira, para alguem, eu vou ajudar em algo. Mostrando coisas por qual eu passei e podendo essa nova geraçao nao precisar passar.

Para existir evolução,  ame o que faz e estude muito sobre o assunto. Aprender a tatuar necessita de aprendizado, conhecimentos que o farão um ótimo tatuador. Aprender a desenhar e pintar, mais os conhecimentos da tatuagem, o fará um artista da tatuagem.

Vamos evoluir...1% ao dia, mas todos os dias!



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domingo, 5 de fevereiro de 2017

Fazendo Linhas na Tatuagem ( Neo Traditional )

Olá Pessoal.

Nesse post vou mostrar um pouco do que eu faço no meu dia a dia. Até fiz uns videos (bem simples) mas espero que possa ajudar vocês que tem a dificuldade de fazer as linhas.
Sempre comento nos meus workshops que no meu ponto de vista, fazer as linhas é sem duvida uma das partes mais complexas da tatuagem. Algumas pessoas sempre me dizem que já sabem fazer linhas que o maior problema é a pintura ou fazer as sombras e sempre que mostram as fotos dos seus trabalhos eu falo: "Olha, acho que você tem que rever essa ideia de que já sabe fazer linhas". Sempre são muito ruins... muito mesmo.
Fazer linhas é preciso muita paciência, muita atenção e saber o contraste de linhas que está procurando. Nem sempre fazer linhas grossas vao ficar lindas ou mesmo fazer linhas finas vão deixar o trabalho incrível. A combinação de linhas na tatuagem enriquece ou empobrece todo o trabalho. Ter atenção e estudar a arte final vai ajudar a deixar cada vez mais profissional sua tatuagem.

Nao vou entrar no assunto decalque. Em outros posts eu ja falei como faço eles desde o desenho até passar pelo Sketchbook Pro... e como eu uso a impressora termo. Deem uma olhada nos posts mais antigos.

Essa tatuagem eu tirei a medida da perna do Rafael, do joelho até o tornozelo e em casa criei este desenho com base da ideia que ele me passou. Uma coruja e uma raposa abaixo.

Veja como o decalque é perfeitamente igual ao que eu faço no computador. Os detalhes nada se perdem e isso é o que temos que ter em mente: O tatuagem começa pelo decalque. Não podemos fazer dele algo menor ou de menos importância.








Este é o resultado do decalque... deixo em média secar por uns 15 minutos antes de começar a tatuar. Sempre lembro as pessoas que eu nao uso vaselina sobre o decalque para que ele fique sempre o mais seco possível. Vaselina ou Gel de ultrassom sempre uso apenas quando estou começando a pintar ou sombrear a tatuagem.

Mas sempre é bom lembrar que esse é o modo que eu achei para manter sempre meu decalque limpo e seco até o final da tatuagem e de modo algum estou dizendo que é o único modo ou que é esse o jeito certo de se fazer e sim, uma das milhões de formas de se fazer.













Este é o resultado que eu tive nessa primeira sessão que levou aproximadamente 3 horas.
Geralmente, numa tatuagem deste tamanho, eu separo em uma sessão de 3 horas de linha, uma segunda sessão para sombrear e uma quarta sessão para pintar. Todas de 3 horas cada sessão. Obviamente, é um tempo aproximado já que cada tatuagem tem seus imprevistos. Não mudando o tempo da minha sessão que nao passa de 3 horas.


Agora abaixo, estão os videos desta primeira fase das linhas... quando eu for sombrear-la, vou postar os videos também para voces poderem acompanhar todo o processo.












Neste video, estou usando uma maquina com 5 RL, para o sumie eu usei um batoque medio com água e sabão (o mesmo que você usa para ir limpando a tatuagem durante o processo) e pinguei 6 gotas de preto linha. A ideia é deixar as linhas visíveis depois que cicatrizar. Para realismo, eu colocaria apenas 2 gotas de preto linha para que fiquem mais claras e nao apareçam quando cicatrizada.
No Neo Trad, eu uso sempre contrastes de linhas, 11RL abertas para os Bolds, 5RL para o fine-line e o mesmo 5RL com sumie para linhas mais transparentes.





Neste outro video, estou fazendo o bold line, criando um contraste de linhas grossas, finas e linhas em sumie. Estou usando um bold line com 11RL isqueirada, quem tiver duvida sobre como abrir as agulhas ou para que servem, deem uma olhada nos posts anteriores que eu falo especificamente sobre isso. Hoje em dia, estou usando muito 11RL aberta, acho que os bold ficam muito bonitas com elas. Tenho algumas fotos de tatuagens cicatrizadas nesse estilo, feitas da mesma maneira. Vou postar e comentar nos futuros posts.

Bom, espero que ajude de alguma forma essas fotos e videos.
Eu tardo mas nao falho... Eu estou estudando muito a tatuagem, mais ainda de uns tempos para cá e tem muitas coisas que nao mais faço e outras foram adaptadas. Entao eu mesmo em contradição no que eu falo e minhas ideias mudam a cada semana... por isso eu nao escrevo tanto. Estudar é preciso, entender e evoluir... Vamos evoluir... 1% ao dia, mas todos os dias!


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E está chegando o Tattoo/Con... nao deixe para ultima semana para conseguir sua vaga la.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Estudos com Aquarelas - Watercolor

De um ano pra cá, estou estudando aquarela. Não... não como se pensam por ai para tatuar... nao faço sopros para criarem aquelas manchas bregas, nao estou jogando tintas para poderem escorrer e ficar "descolados". Aquarela não é isso... aquarela é como o Sargent fazia, como Durer ou mesmo nossos
 contemporâneos Castagnet e Zbukvic os fazem.

Estou aprendendo e já coloquei na cabeça que aprender essa técnica pode levar muitos anos ou mesmo posso levar a vida toda e mesmo assim, nao conseguir entende-la por completa. É quase um jogo de técnica, paciência e até uma pitada de sorte.

Sem falar no material... peloamordedeus... muito caro para nós brasileiros com uma economia dessas.


Papel:

Aprendi nos meus cursos, aulas e workshops que papel é fundamental. No começo, como todo bom Sao Tomé, eu nao acreditava muito nao. Achava que era apenas uma "frescura" dos profissionais que nao admitiam nao conseguiam fazer em qualquer outro papel. Completamente enganado eu estava. Tentei outros papeis que estavam escritos nos blocos que era para aquarela mas... tcs tcs tcs... nao dá.
O Papel tem que ser 100% algodão... nao tem jeito. Grana Fina, Grana Grossa ou mesmo Acetinado... 300 gr.
Acetinado : Papel muito liso... geralmente para ilustração.
Grana Fina : Papel de textura média, para detalhes (nao tanto quanto o Acetinado) mas também para poder fazer umas texturas já que o papel permite.
Grana Grossa: Papel com texturas fortes, bom para criar efeitos de texturas como pedras, plantas, etc e que nao dá para colocar muitos detalhes a nao ser que seja um desenho bem grande... ai se consegue pelo tamanho do papel.


Pincéis:

Sinteticos ou pelos de Animais.
Os sintéticos eu curto para detalhes... carrega menos água e os pelos geralmente são mais firmes que os de pelos de animais.
Os de pelos de animais como os de esquilo, carrega muito mais água... ótimo para grandes preenchimentos aonde precisa de um acumulo de agua para poder fazer transições tonais e de cores.

Tintas:

Comecei usando as de linhas estudantes como as Van Gogh e Cotman. Mas depois fui usando as da linha Artist da W&N e Schmincke... que para mim, que ainda estou começando, achei elas muito boas.

Vou mostrar alguns trabalhos meus de quando eu comecei realmente a me dedicar até os trabalhos de hoje. Eu costumo guardar todos... é ótimo para ver evoluções ou mesmo tentar entender aonde estou empacado e tentar resolver.


Esse passo a passo, eu fiz umas duas semanas depois de ter começado a estudar a técnica de aquarelar. Ja faz quase dois anos. Nessa época eu nao dei importância para a aquarela e nao levei muito adiante os estudos.
Hoje eu vejo os erros e acertos desse desenho.... coisa que na época eu nao tinha informações para poder entender e ver o que funcionava. Muitos gostaram mas como já disse, sei que nao ficou como hoje eu faria.








Essa pintura do Lemmy eu fiz um dia depois da morte dele... nessa pintura, apesar de eu ter gostado muito mais e ter colocado em pratica pontos fundamentais na aquarela, hoje eu também sei aonde poderia ter melhorado. Uma das dicas mais valiosas é sem duvida a "conexão" das informações. Por exemplo: o cabelo dele ter se misturado (se conectado) ao chapéu, barba e camisa....










Essa pintura eu fiz no mesmo dia que eu fiz o Lemmy... Realmente foi uma pintura que muitas pessoas curtiram muito mas ele foge totalmente do que a aquarela pede. Está muito descritivo ou seja, não existem as conexões e tudo está muito detalhado, uma pintura sem graça... Sem as brincadeiras da aquarela. É como dizem: Nesse caso eu pintei com aquarela e nao á aquarela. Mas tudo bem...









Depois de meses sem mexer com as tintas, voltei a estudar novamente... agora tentando entender as conexões. Nesse caso peguei algumas fotos de umas lutas do UFC e voltei para a prancheta. Eu achei que nessa volta aos estudos eu tive um entendimento melhor com a técnica... gostei de como as cores foram se conectando com as cores de pele e sangue. Mas ainda estao muito descritivos... mas como eu disse, já era um resultado mais interessante e mais próximo do que eu estava procurando.










No começo deste ano de 2016, eu decidi estudar realmente aquarela. Estudar mesmo... me dedicar as manchas, entender as conexões e tudo mais. Comecei estudando as pinturas monocromáticas. Por ser monocromático, nao precisava estudar nem me preocupar com as cores.
Uma falha enorme nessa pintura ao lado é sem duvida a falta de "peso" nas pinceladas. Tudo muito igual... desde os fios até os detalhes das portas, a pincelada parece sempre a mesma.
Falha nossa....







Nessa pintura ao lado, ainda estudando os valores monocromáticos, eu consegui pesar nas pinceladas criando variações nesse ponto. Podem reparar como está bem diferente esses pesos comparada a pintura anterior. Mais interessante de se ver.
O problema aqui foi a sombra projetada no muro... um pouco dura demais... poderia ter esfumaçado as bordas desta sombra... conectando com a parede.
Mas estudos sao estudos.







Depois de mais de um mês estudando monocromáticos, nao estava ainda preparado para larga-los mas fui para um outro tipo de estudo, a simplificação das figuras. E mais uma vez, as conexões entre as informações mas sem deixar de se entender o motivo.

Nesse caso eu usei as folhas acetinadas. Achei muito difícil usar essas folhas mas depois de alguns estudos fui me acostumando com ela.
Gastei muitas folhas estudando essa ideia, e com certeza foi mais de um mês estudando essa tal de simplificação.






Esses galos também estao nesse mes... fiz muitos animais, flores, pessoas, objetos... foi um mês ralando para entender... nao entendi ainda mas gostei dos resultados no final das contas.















Essas sombras projetadas ao lado das arvores sobre o muro e a bicicleta também são estudos de conexão que eu quase consegui. A passagem das folhas para as sombras ainda estao muito duras... poderiam ser mais lentas... mais suaves. Mesmo assim foi um grande resultado para a época.
Um problema de quem vem do desenho para a aquarela, é a mania de querer descrever tudo, colocar detalhes em tudo. Aprendi que quem coloca muitos detalhes é como aquela pessoa que fala demais e se torna chato e aqueles que colocam menos detalhes, são as pessoas que falam menos e deixam os outros refletirem.








Essa é uma pintura mais recente... podem ver a diferença agora... vejam como as sombras se conectam sem tantos detalhes. A atmosfera é mais "gostosa" de se perceber. A sombra do prédio do lado esquerdo invade as pessoas, o carro e vai para o chão... levando o observador a andar pela pintura.
Claro que ainda nao estou completamente satisfeito com o resultado mas já foi um grande salto da pintura anterior para esta.





Para continuar esses estudos, eu fotografei a comunidade do Heliopolis em SP quando vi essas sombras lindas se projetando pelas casas coloridas. O estudo ainda é o mesmo, simplificação e conexão entre as informações. Nesse caso eu tentei estudar também as temperaturas das sombras e seus valores. Foi um resultado que me agradou muito mesmo sabendo aonde eu acabei "pecando"... mas foi muito mais acertos do que erros.







Esses dois retratos são os meus primeiros resultados com o tema em se tratando das conexões que a aquarela pede. O turbante nao tem uma linha nem mesmo de sombra para separar da testa assim como a bandana, também nao tem essa sombra para separar as informações. Uma coisa que eu fiz questão de fazer nos dois desenhos: nao mexer muito na boca, apenas informar um brilho ou variação tonal mas nao existem linhas... o bigode se conecta com a boca, quase vira um borrão mas mesmo assim, a boca está visivelmente colocada.  Me dediquei mesmo aos olhos e nariz... de resto deixei as informações extras "entrarem" umas nas outras.



Essa foto ao lado foi tirada durante um workshop do Douglas tatuando o Bruno.
Ainda em progresso, resolvi estudar varias pessoas no mesmo ambiente e tentar conecta-las através dos valores por conta das suas roupas escuras.
Dá pra ver a base nas duas figuras a esquerda. Ainda faltando finaliza-los.







Nessa outra pintura também em progresso, fiz o mesmo estudo, ligar uma figura a outra e tentar ao máximo simplificar e eliminar detalhes que nao fazem a menor diferença.
Essa foto foi tirada durante um workshop do Aleks Punk no Lado B Estudio tb.











Aqui eu tentei ao máximo simplificar mais ainda e conectar o possível... ainda há muitos recortes mas ja é um resultado que me agrada muito, tirando esses pequenos detalhes. A luz da luminária sobre o tatuador é o branco do papel mesmo, sem auxílios de opacos.





Essas tres pinturas é de uma serie de cinco que ja terminei.








Esses estudos, diferentes dos anteriores, eu queria mesmo conseguir um efeito de desfocado e focado. Fiz esses estudos exclusivamente para isso, como conseguir dominar a água e conseguir desfocar algo.
Acho um efeito bem interessante e todos que veem curte o resultado.
Fiz outros estudos desse mesmo estilo, todos eles tentando cria esse desfocado. Sempre que vou estudar algo, eu repito muitas e muitas vezes até conseguir os primeiros resultado.






Essa pintura eu fix hoje, dia 24.12.2016. Na real, aqui eu nao estava mais interessado somente em desfocar ou focar, apesar de ser a primeira ideia que geralmente vao ver sobre essa pintura. A minha ideia aqui foi muito mais o fato de conseguir o mesmo efeito com simplificação. Tanto é que essa pintura eu consegui terminar em mais ou menos 40 minutos. As dos homens armados foram quase duas horas cada um.
Nao estou querendo ser rapido, estou querendo fazer com que a aquarela apareça sem perder o realismo e os efeitos.

Nessa pintura usei um papel Grana Fina da Fabriano 100% algodão. Pinceis sintéticos e outros pelos de marta. Mas comecei com o de esquilo que aparece na foto. As tintas foram de bisnagas da Rembrandt e muita paciência.



Espero que gostem do post... foi algo diferente do que eu estava postando (quando postava).  E também queria compartilhar um pouco desta técnica que poucos a conhecem como realmente ela é.

Tenham todos um Feliz Natal e um Prospero Ano Novo.




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